27 de ago de 2010

MARCHA SOLDADO OU CORRE SOLDADO - XIII CORPORE DUQUE DE CAXIAS

Desde criança meu forte foi arte, no bom sentido da palavra, e os caminhos me levaram a ser um diretor de arte. As letras, palavras e frases faziam parte de um conjunto visual para mim, por isso nunca me arrisquei a escrever tanto como tenho feito neste ano, resultado esse que dedico também a corrida. Comecei a escrever para mim mesmo como um alterego me incentivando e mostrando que tudo é possível ao que crê, mas o gosto pela escrita me levou as pesquisas e me aprofundar no universo das letras. E foi assim que ganhei a inscrição para a XIII Corrida Duque de Caxias através de um sorteio via twitter das 8 melhores frases, mandei várias e uma delas (não sei qual) foi uma das vencedoras e assim parto para minha terceira prova consecutiva e de graça.

"Sigam-me os que forem brasileiros", como diria Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, patrono do exército brasileiro, na guerra contra o Paraguai. Assim o pelotão dos bravos corredores se colocam na linha de partida, a Corpore tem feito provas extremamente organizadas com entrega de chip, guarda-volumes, entrega de prêmios sem nenhuma guerra, também se nesta corrida tivesse alvoroço armamento bélico que não iria faltar, pois até tanque de guerra e canhão tinham neste evento, aliás este último foi o responsável pelo som da largada juntamente com a animação do repórter esportivo Alex Muller.

Mas antes de começar o marcha soldado ou o "corre" soldado, faço mensão a sensação maravilhosa de ver o sol nascer num ambiente de uma prova, como a largada seria às 7hs15, chego no local às 5hs45 ainda estava escuro e vejo que a estrutura da corrida demanda um exército para ter sua excelência, um pelotão que cuida da hidratação no percurso, outro na entrega do chip e na confirmação do pagamento para os atletas de última hora, no guarda-volumes, na premiação, na segurança e nas dezenas de ambulâncias que cuidam dos soldados que não completam a batalha. 

Começo a corrida querendo fazer um sub 52 (sei que não existe este termo no ambiente da corrida, mas para amadores como eu qualquer "sub" está valendo), mas percebo que isso não seria possível, então só me restava correr for fun. O percurso é muito atraente, pela ruas arborizadas e o clima de bem-estar que já fazem parte da região do Ibirapuera, lembro-me da minha primeira prova que foi de 6km pela Av. Rubem Berta e o quanto aquelas subidas tinham me destruído, mas depois de 8 meses elas se tornariam em mais um detalhe para o espetáculo da corrida.

Alguns momentos forço, outros eu reduzo e assim vou até o final da prova vendo aquele que me ultrapassa ou o outro que eu passo, imaginando a história que cada um, como eu, pode contar daquilo que representa a corrida de rua para suas vidas. Nunca quis ser soldado, pelo contrário me alistei por obrigação e não servi por excesso de contingente, mas batalho muito para alcançar meus objetivos, como marido, como pai, como profissional como um filho de Deus, sabendo como a corrida que uma hora enxerga-se a linha de chegada. Muitos me perguntam: você ganhou a prova? Mas esse é um esporte individual porém coletivo, onde todos vencem a guerra.

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